Entrevista com Fábio M Barreto autor de Filhos do Fim do Mundo

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Hoje estamos trazendo para vocês a entrevista com Fábio M Barreto autor de Filhos do Fim do Mundo, livro sobre um apocalipse e a saga de um jornalista que busca respostas e a salvação de sua família, e que você pode conferir nossa crítica aqui!

O livro vem sendo um sucesso de vendas e Fábio já trabalha em seu segundo livro. Em nossa  entrevista com Fábio M Barreto você entenderá como esse jornalista passou para diretor, roteirista e escritor, e coincidentemente ou não Fábio também já teve um site sobre assuntos nerds, assim como o Canal NERD! Então vamos logo para a entrevista:

Entrevista com Fábio M Barreto autor de Filhos do Fim do Mundo

Pra começar, fale um pouco sobre você, o que faz e quais seus principais projetos:

Gosto de contar histórias. Seja como jornalista ou como escritor e diretor. É uma das coisas mais divertidas do mundo, sempre gostei, mesmo antes de tomar ciência dessa preferência. Sabe aquele chato que fica contando história na mesa das festas de família? Pois é! 😀 Atualmente estou escrevendo um novo romance, produzindo 2 roteiros de curta-metragem e dirigindo três filmes. É uma frase curta, mas que significa meses de trabalho duro, noites sem dormir e muita organização aqui em LA. Quero encerrar esse ciclo até o final desse ano e, finalmente, poder trabalhar no meu conceito para série de TV.

Você chegou a trabalhar um tempo com um site como o nosso sobre assuntos nerds, como foi essa experiência?

Ter o SOS Hollywood foi legal, mas não foi a primeira fez. Comecei com um fanzine chamado Intrepid, que falava só sobre Star Wars. Depois migrei o Intrepid para a internet e o mantive por alguns anos cobrindo a Saga. O tempo passou e o interesse de público foi diminuindo, assim como as notícias, então encerrei a atividade. O SOS Hollywood foi uma tentativa de fazer um contato direto Brasil – Los Angeles, com matérias mais acessíveis, boas entrevistas e o dia-a-dia do trabalho como correspondente aqui, entretanto, fiquei sozinho. E ninguém ganha guerra sozinho. Precisei escolher entre o trabalho pago e o site, que nunca gerou muita renda. Escolhi a família. Foi difícil, mas precisei encerrar aquele ciclo também. Adorei fazer. Todo o conteúdo ainda está disponível no site. Entrevistas, podcasts, análises de filmes, notícias, tudo lá. 😀

Você é formado em jornalismo, o que te levou a trabalhar com cinema e agora a escrever livros?
O cinema aconteceu sem querer. Resolvi estudar cinema para me aprimorar na arte das entrevistas, e para, de fato, entender como se faz filmes. Caí de amores pela produção e do jeito que a coisa vai, não devo parar mais. Escrever livros é algo mais antigo, sempre tive essa pretensão, mas só em 2011 comecei a pensar de forma mais efetiva. Todo jornalista quer ser escritor. É algo como subir de nível no RPG! 😀 Fiquei muito feliz por ter conseguido fazer a transição. Ela ainda não está completa, mas já dei os primeiros passos. O mais importante de uma transição de carreira é botar o pé na porta e ver o que tem lá fora. Isso eu já fi. Agora é esperar pelas próximas etapas, ou seja, novos livros.

Fale um pouco pra gente sobre a SOS Hollywood.
Como o site precisou ser encerrado, transformei o SOS Hollywood numa pequena produtora de cinema. Quero produzir filmes de ficção científica, fantasia e realismo fantástico. Estou começando com curtas, mas já produzi um comercial bem grande para uma empresa de São Paulo. É tudo questão de escolher projetos e ralar feito maluco para fazer tudo acontecer. Acredito no potencial do Brasil para filmes de guerra, de FC, e de fantasia. Mas nenhuma produtora tem peito para fazer algo que não seja comédia. O Brasil é acomodado demais no cinema. Sempre funcionei como força transformadora por onde passei, quero fazer o mesmo pelo cinema. Estou começando pequeno, mas o objetivo é grandioso demais. Para isso dar certo, preciso de toda a experiência possível e de gente disposta a fugir das comédias globais no Brasil. Podemos mudar o nosso modo de fazer cinema, mas isso só acontece com disposição e a equipe certa. Aliás, se alguém aí tiver interesse em trabalhar conosco em eventuais produções no Brasil, é só escrever para contato@soshollywood.com.br

Entrevista com Fábio M Barreto

Agora sobre Filhos do Fim do Mundo, como surgiu a ideia do livro?

Penso muito antes de fazer as coisas. Com o livro não foi diferente. Precisava de uma história que cumprisse o base principal de livros de sucesso: assunto de interesse; ponto de quebra meio traumático; ritmo moderno; um estilo próprio e muuuuito diferente do que existe no mercado. Juntei tudo isso e “Filhos” nasceu. O conceito das mortes veio da pergunta mais pessoal e sincera: o que me deixaria desesperado? Perder minha filha. Fiquei arrepiado pensando no prólogo. Sabia que ia dar certo. Não é todo mundo que reage da mesma forma, mas apostei no meu instinto.

Você tem planos para transformar esse projeto em um filme?

Ele nasceu como um curta-metragem. Filmei o prólogo e isso me ajudou a criar algum interesse pelo livro, assim como a vender para a Fantasy. Ultimamente não consigo escrever nada sem pensar em filme, aliás, perdi a conta de quantas vezes chamei “Filhos” de “filme”. É bacana ter esse parâmetro, pois muitas das minhas decisões como escritor são visuais. Aposto muito na ação com relevância, em vez da descrição extrema ou dos pensamentos longos e complexos. A ação certa pode conter tantas ideias, sensações e linhas de pensamento que, parar e escreve-las em detalhe, nem sempre é a solução certa. É uma questão de estilo. Não há jeito certo ou errado. Cada autor faz suas escolhas; que são certas para ele.

Li o livro e gostei muito, e constantemente você atualiza o Facebook dizendo que o livro vem se esgotando nas principais livrarias. Como é ver sua criação sendo tão bem recebida?

Respondi a essa pergunta mês passado e a resposta foi: “assustador”. rs. Essa fase começou a passar e voltei ao modo padrão: sentir a responsabilidade por ter escrito algo. Estar no mercado jornalístico há 16 anos me dá uma perspectiva bem específica sobre o que é escrever. Sinto uma responsabilidade tremenda, levo a sério, tanto o que escrevo, quanto quem lê. Tudo bem que jornalismo é mais fácil, pq a informação é destinada a praticamente todo mundo, já na literatura, embora todo mundo sonhe em escrever para qualquer leitor, é preciso aceitar que quem batalha por Ficção Científica e Fantasia (FC&F) ainda não chega lá tão rápido. Se já há preconceito entre leitores “normais”, imagina entre não leitores? Deixamos de ser “leitura de gênero” há tempo, mas o brasileiro médio ainda não faz ideia de que inventar mundos é um pouco mais complicado do que simular situações passadas num colégio, ou na fazenda da família, ou na viagem para a Disney. Criar mundos verossímeis e agradáveis ao leitor é uma das tarefas mais difíceis que um escritor pode escolher. Para que começar pelo fácil se você pode ir direto pro gênero mais difícil, não é? Levar porrada faz parte do processo, mas assim como o amigo chato que ganha pelo cansaço e fica com a menina, logo a gente ganha a guerra! Enfim, estou feliz. Espero que o livro agrade aos leitores, tem muito mais de onde esse saiu!

Algumas pessoas que leram o livro questionam o porquê de você não usar nomes para os personagens, explica pra gente.

Vou te dar a resposta mais rápida: o lugar onde nascemos e o nosso nome informam ao nosso respeito, porém, nossas ações definem quem somos. Era nisso que estava interessado, em ações, em decisões, escolhas. Elas me tornaram na pessoa e profissional que sou hoje. Sou brasileiro e meu nome é Fábio. Ok, legal, mas a decisão de seguir no jornalismo ou de, veja só, escrever um livro, diz muito mais a meu respeito. E isso tem um pouco a ver com a resposta anterior, afinal, para que nomear personagens e escolher uma locação se posso optar por escrever um LIVRO INTEIRO sem nome e sem dar dicas de onde eles estão? Só coisa fácil! hehe. Muito disso também nasceu de um obstáculo narrativo (especificar transformaria esse drama no drama de um povo, não de todos) e a solução também me permitiu homenagear dois autores muito queridos. Um, que todo mundo fala, é José Saramago, e o outro (que até agora ninguém falou, então falo eu) – Cormac McCarthy.

Agora que Filhos do Fim do Mundo já foi lançado, já tem algum projeto em andamento? Pode nos dar algum detalhe?

Estou trabalhando num novo romance de ficção científica. O nome de trabalho é “Snowglobe”. Só posso dizer que, dessa vez, vamos para o futuro.

Para finalizar, quer deixar alguma mensagem para quem te acompanha e é fã do seu trabalho?

Beijo do gordo! 😀 Falando sério agora, ou não!, obrigado pela oportunidade. Continuem a ver filmes, sempre leiam e tirem suas próprias conclusões. Não há duas pessoas iguais nesse mundo, tampouco duas leituras perfeitamente similares. Viver em volta da cultura é maravilhoso por isso. Ela nos provoca, ela nos transforma, ela nos ajuda a descobrir quem somos. Obrigado!

Como faço pra comprar?

Siga a página do livro no Facebook – Filhos do Fim do Mundo. E para comprar o livro você pode clicar aqui.

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